Do Natal, ou de Belém, de Fortaleza, ou do Ceará, o que é certo é que o propósito de querer saber se as sementes que deixou, numa terra da América do Sul, virão a dar frutos, ou não, levou-me a profundas reflexões, diria mais, a meditações extensíssimas sobre… sobre o quê?... pois, sobre “sementes”!
Cheguei a várias conclusões, que resumo, para não dar muito trabalho ao leitor em causa.
1ª conclusão
As sementes têm razões que a razão desconhece! Já sabia!? Não, o ditado não é bem assim, mas serve igualmente. Por detrás de cada semente, ou melhor dizendo, no interior de cada semente há uma razão. Muitas sementes muitas razões, e… certo! Que a razão desconhece… porquê? Apanhou-me… sei lá, porque sim, serve?
2ª conclusão
Quase tudo pode ser, diria mesmo é, traduzível em sementes, Não acredita? Pois é, eu também fiquei espantada, mas garanto-lhe que pensei imenso e de facto é possível… não acredita? Homem de pouca fé… onde é que eu já ouvi isto? Adiante, tudo, mas tudo, pode ser traduzido em sementes.
Quer exemplos? Imaginei que sim…então aqui vão:
Nós donde viemos? De sementes, acertou!
A festinha de anos da Mariana o que foi? O plantar de uma semente na vida dela. Porquê? Porque há-de dar os seus frutos…frutos para mim são sempre coisas positivas.
Outro exemplo? Um mais comezinho…quando vai quase todos os dias almoçar às “Tias”, adivinhe… neste caso, as sementes são delas: comida caseira, perto de “casa”, etc.. Quando bebe um copo de água, fuma um cigarro, entra no gabinete do lado, o que é que está a fazer? está a semear…quando telefona… está a semear…
Eu poderia continuar e ser completamente exaustiva, mas não é preciso, penso que já passei a ideia…é só praticar e passar a pensar em termos de “sementes”.
Claro que há coisas muito importantes que têm que ser tidas em conta para que as nossas sementeiras dêem algum resultado. Por exemplo, o terreno e a rega.
Às vezes temos dúvidas sobre os resultados das nossas sementeiras, se foram acertadas, se são sustentáveis, como as tratamos, regamos, não regamos, damos-lhes sol, não damos, ventania…?
Outra coisa que não é de descurar é o transporte das sementes. Os transportadores de sementes, por excelência, são os animais, mais especificamente os voadores, pássaros ou outros… No meio de uma ilha, no oceano, nascem espécies que foram transportadas de lugares longínquos. Como é que lá chegaram? Através dos pássaros migrantes! Portanto, o transporte é muito importante e daí o ditado popular “foi um passarinho que me disse”! O que é que o piu piu disse? Pois terá dito qualquer coisa que é a semente para qualquer coisa.
Importante, importante, e por último, a qualidade das sementes, que determina completamente o resultado. Há sementes de toda a natureza: sementes que fazem bondade, maldade, amor, ódio, paz, violência, saúde, doença, felicidade, ansiedade … sementes que fazem sonhar, rir ou chorar, enfim há imensas sementes, todas as que constroem a nossa vida e as nossas relações, com o outro e com o mundo (não, não é de outro mundo!).
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Por cada acto que fazemos estamos, directa ou indirectamente a plantar sementes, a regar sementes ou a colher frutos das sementes que plantámos. Como somos humanos (a melhor e a pior criação do universo) conseguimos acreditar que somos capazes de semear bons e maus frutos…
Parafraseando uma frase, que sei que gosta muito: “se houver algum problema administrativo ou financeiro” que faça com que não use esta semente, pelo menos desfrute do que puder…
O que eu acabei de fazer foi plantar mais uma semente. As minhas sementes são plantadas ao vento. Gosto de as ver flutuar e imaginar onde irão crescer. Enfim, a imaginação é que nos salva, ou a esperança é a última a morrer, ou … sementes!
2004